segunda-feira, 23 de abril de 2012

Protamina: guia prático para as duvidas frequentes




                A protamina é a medicação usada para reversão do efeito da heparina. Inicialmente foi obtida através do esperma do salmão e hoje é produzida por técnicas de biotecnologia recombinante.  Sua ação se dá pela ligação e inativação da molécula de heparina. Esta ligação se dá em uma proporção de 1:1. Assim, como cada 1 mg tem 100 unidades de protamina, 1 mg da protamina é capaz de inativar 100 UI em média de heparina...

             As preparações comerciais disponíveis no mercado usualmente (protamina 1000) possuem a seguinte relação: 1ml = 10 mg de sulfato de protamina = 1000 UI de protamina. Assim, 1 ml é capaz de inativar 1000 UI de heparina. Cada ampola vem com 5 ml ou 50 mg de sulfato de protamina. Seu uso é indicado para reversão do efeito da heparina em pacientes sob o uso desta medicação, principalmente para pacientes em anticoagulação plena com heparina, saída de circulação extra-corporea e diálise.
No momento da reversão deve-se estar atento a dose feita e a meia vida da heparina. Desta forma é sugerido seguir a seguinte tabela:

Tempo desde a ultima dose de heparina
Dose de protamina para neutralizar 100 unidades de heparina
Imediato
1 mg (até1,5 mg)
30 a 60 minutos
0,5 a 0,75 mg
> 2 horas
0,25 a 0,375 mg

Cuidados:
A protamina quando infundida rapidamente pode levar a reação anafilática e instabilidade hemodinâmica.
Dose máxima: 50 mg

Protamina e enoxaparina
O uso da protamina com a finalidade de reverter a ação de heparinas de baixo peso molecular é off-label. A antividade anti-fator Xa nunca é completamente neutralizada porprotamina. No máximo 60 a 75% desta atividade será neutralizada.
Relação para reversão da ação da enoxaparina é de: 1mg de protomina neutraliza 1 mg de enoxaparina. 

3 comentários:

  1. Excelente post! Prático e rotineiro.

    Fica mais uma dica de leitura sobre o assunto...

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18309033

    ... o artigo é free e traz conceitos interessantes especialmente no manejo de sangramentos secundários ao uso dos novos anticoagulantes.

    ResponderExcluir
  2. Ótima explicação. Obrigada!

    ResponderExcluir