sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Volume de resíduo gástrico




O retardo no esvaziamento gástrico ocorre com frequência em pacientes graves e sua fisiopatologia é complexa (1). Embora a relação entre esvaziamento gástrico e volume de resíduo gástrico (VRG) não seja clara, este tem sido usado para avaliar tolerância à nutrição enteral e alertar para o risco de regurgitação e aspiração.

O principal receio em relação a altos VRG é a associação com pneumonia aspirativa (2). Entretanto, até o momento não há evidências sólidas que comprovem a prevenção de pneumonia aspirativa através da monitorização do VRG. A valorização exagerada pode inclusive prejudicar a oferta calórica adequada. Níveis abaixo de 500 ml não parecem prejudiciais e não devem ser valorizados na ausência de outros sinais de intolerância (3).
O papel dos procinéticos em reduzir o VRG não é claro, mas são usados frequentemente para esse fim. A metoclopramida é o agente mais usado. Outro agente possível é a eritromicina. Esse antibiótico macrolídeo age como agonista dos receptores de motilina nos neurônios entéricos, células musculares lisas do estômago e duodeno proximal. Porém, há ressalvas em relação à toxicidade cardíaca e a possibilidade de resistência bacteriana (4). Devido ao desenvolvimento rápido taquifilaxia após administração de eritromicina ou metoclopramida, o uso terapêutico tem sido recomendado por um período limitado a 3 dias (1).
Medidas de prevenção de alto VGR também devem ser colocadas em prática, como elevação da cabeceira em 30°, correção de distúrbios eletrolíticos, minimizar o uso de opióides e eventualmente o uso de sonda pós-pilórica (1).

Referências:

5 comentários:

  1. Flávio, parabéns pelo post. Este é um assunto no mínimo nebuloso. Duas perguntas. Bromoprida deve ser uma opção como procinérico? Podemos usala em associação a metoclopramida?

    ResponderExcluir
  2. Rodrigo,
    Não vou saber responder com certeza. Apesar de a bromoprida ser usada com frequência em nosso meio, não vi nenhum estudo com a droga especificamente na população de pacientes graves.
    Vamos lembrar que a bromoprida e a metoclopramida compartilham mecanismos de ação. Podemos extrapolar e seguir orientações da American Gastroenterological Association que orienta, no caso de combinação de drogas para tratamento da gastroparesia, medicações com mecanismo de ação diferente. Então, não seria a melhor opção associar as duas drogas. Se houver necessidade, o seguinte esquema pode ser adotado: metoclopramida ou bromoprida ou domperidona + eritromicina + ondasetrona...

    ResponderExcluir
  3. Flávio? Os pacientes com nutrição em cateter pós-pilórico também podem ter o VRG medido? Tenho dúvida se o conteúdo aspirado é de fonte gástríca ou entérica. Grato.

    ResponderExcluir
  4. Olá, Fabrício!

    O resíduo gástrico é obtido com a sonda em posição gástrica (pré pilórica). Ele representa uma mistura de dieta com secreção gástrica, secreção salivar e refluxo duodenal.
    Nos casos de sonda pós pilórica, é até possível avaliar o resíduo gástrico e drenar o estômago naqueles com gastroparesia importante, desde que se use outra sonda em posição gástrica. Há também a possibilidade de usar uma sonda especial de duplo lúmen.

    ResponderExcluir
  5. E em pediatria? Qual o volume de resíduo gástrico considerado normal?

    ResponderExcluir